Chover no molhado, é o que mais se faz atualmente.
Na boca do senso comum comumente se ouve o tal "nada se cria, e tudo se
copia". O grande Totó, não o da novela que descobri há pouco tempo sua
existência, mas aquele da Grécia Antiga, formalmente conhecido como
Aristóteles, bem como seu mestre, o admirável Platão, já diziam que a arte era
mimese, ou seja, imitação da natureza e da ação. A ideia da imitação já não é
tão nova assim.
Criar, entendido como fazer algo realmente novo,
sempre foi um problema na arte. Mas no século XVIII surgiu a idéia de gênio para
suprir a necessidade de compreender os autores de grandes obras que falavam por
si, de personalidades que eram verdadeiros "instrumentos da
natureza", e estes sim pareciam criar novas formas com as
velhas coisas já às nossas vistas desde sempre.
No mundo corporativo atual, a criação é exigida.
Mas, meu querido cara pálida? Criar seria reinventar? Na maioria
dos casos parece ser uma simples reinvenção.
O mundo da arte contemporaneamente clama por criações. Experimentações
e reinvenções não faltam. Não imagine você que outra área também respeitada não
seja também mera reinvenção. As ciências, o academicismo, não passam de novas
leituras daquela mesma coisa de sempre. Uma visão sobreposta a outra, uma mais
convincente que a outra, uma que melhor explica o funcionamento do objeto de
estudo. E os objetos da discussão são sempre os mesmos. Soa entediante,
não?
Não necessariamente. Um prisma multifacetado pode
ser olhado por cada um de seus lados, e já não será o mesmo. Não será criado,
mas reinventado. Ora, isto é óbvio. O mundo soa extremamente óbvio. E mais uma
vez, mais do mesmo.

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