Seria
o amor mensurável? O que é o amor? Como entendê-lo? Como medi-lo?
O
amor, essa coisa inorgânica que é capaz de nos fazer vibrar, mexer com cada
célula de nosso corpo. Por acaso essa coisa de amar é útil? Pra quê chorar por
alguém? Pra quê sofrer com aquilo que nossa imaginação diz sentir ou não o
outro que nos afeta por nós? Porque?
Difícil
entender, mais difícil ainda é se desvencilhar desta rede que a vida parece
tecer a nossa volta, desta arapuca armada pelo acaso. Amar é difícil.
Grandes
escreveram sobre o amor. Hei de confessar que, possuindo este sentimento, já me
senti uma poetisa; escrevia sobre o amor, via a necessidade de declará-lo sob a forma que pudesse melhor se aproximar da beleza daquilo que sentia. Não
creio tê-lo logrado, apesar das incontáveis tentativas. Quando amamos, o mundo
nos parece mais doce, mais bonito, mais suportável. O conforto da ilusão do fim
– finalmente! – dos dias de solidão ao encontrarmos alguém que, por conta uma
pré-compatibilidade encontramo-nos aptos a amar-nos, é uma delícia que é saboreada
lentamente, distribuída em muitos dias de felicidade. Mas quando chega ao fim desta
ilusão, o resultado é devastador: há um amortecimento das faculdades que nos
permite perceber a realidade, e a ilusão se converte em outra pior. Voltamos à
estaca zero: solidão parece ainda pior depois de ter se experimentado a
sensação de completude junto do outro.
A
força do amor imputa à comunicabilidade universal (Eu te amo e vou gritar pra
todo mundo ouvir!). A alegria, o júbilo de amar é responsável por um sem número
de frases eufóricas sem sentido.
Amor
e paixão. Numa relação de amor erótico, amor e paixão têm de estar presentes.
As coisas se complicam quando o amor é abandonado pela paixão, e o amor
torna-se solitário. Só o amor não basta. O amor sozinho produz grandes belezas,
mas quando aliado à paixão, sua força torna-se avassaladora. Quando apenas se ama, sem paixão, chamamos
esta relação de fraterna ou ainda de casamento. Há de haver amor, há de haver
paixão.
Amar
demais é inevitável. Venho em defesa daqueles que amam demais, pois amar nunca
é demais. Mas falando em amar demais, poderíamos primeiro nos perguntar se
acaso podemos mesmo medir o amor, se existe mesmo um amor maior que o outro.
Essa questão já me fez perder alguns cabelos, ter algumas dores de cabeça e por
que não, derramar algumas lágrimas. Acho difícil encontrar alguém que não tenha
chorado por amor, ou ainda por amar demais alguém que parece não te amar tanto
assim, ou nem sequer te olhar.
Desconfortável,
desagradável, desestimulante e des-tudo-de-bom é quando você se percebe numa
situação na qual parece ser você aquele que mais ama, que mais se dedica, e
que, enfim, demonstra mais que ama –
afinal este mundo é feito, acima de tudo, de aparências. Demonstrar que ama
demais é até constrangedor. Ponha-se nesta situação: você é um(a) compositor(a),
e o motivo maior da sua inspiração poética é a pessoa por você amada. Você se
deleita em mostrar das mais variadas formas, nas mais variadas harmonias, nos
mais variados tons, nas mais variadas canções o quanto ama àquela pessoa, você precisa expressar todo este amor que está sentindo. Oferece estas produções amorosas ao amado(a) e esta(e) te olha com olhar de reprovação por seu excesso. Ora, seria isso um amor em
excesso? E como poderia o amor incomodar, mesmo que "em excesso"? Reformulemos nossa pergunta
principal: demonstrações de amor incomodam? Mas como saber o limiar entre o
agradável e o excessivo? Seria assim tão relativo?
Perguntas
difíceis que minha compreensão ainda não conseguiu sugerir alguma boa resposta,
somente as chulas e emotivas de quem ama demais. Mas de uma coisa tenho
certeza: prefiro amar demais que amar demenos.
Clarice Falcão - Monomania
São quatro ou cinco ou seis ou mais
Eu sei demais que tá demais
Eu chego com o violão
Você só tá querendo paz
Você desvia pra cozinha
E eu vou cantando atrás
Hoje eu falei pra mim
Jurei até
Que esta não seria pra você
E agora é
Se juntar cada verso meu
E comparar vai dar pra ver
Tem mais “você” que nota dó
Eu vou ter que me controlar
Se um dia eu quero enriquecer
Quem vai comprar esse cd sobre uma pessoa só?
Amar demais não é pecado, pois pecado, não existe.
ResponderExcluirSe algo está em seu interior e você pretende liberá-lo, utilize-se do amor próprio e não se pergunte o que incomoda os outros, mas sim se livre do que incomoda em ti. Quem sabe isso passa, e abre espaço pra "mais do mesmo" de outra forma.
<3